domingo, 25 de maio de 2014

IMPERMANÊNCIAS...






nada dura para sempre

tudo é impermanente...

a Vida...

e também, a Morte.

lúcia*

Imagem: "Ascend of the Blessed - The Tunnel of Light" (Hieronumus Bosch)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

SOBRE SALTAR... EM FUGA






Na chamada pré-história, saltávamos de árvore em árvore...

Agora, nos chamados tempos modernos, saltamos de pensamento em pensamento, 

de desejo em desejo, 

de busca desenfreada de satisfação em busca desenfreada de satisfação, 

de mentira em mentira...

Esquecendo que o Pleno se encontra nesse espaço fecundo, infinito e verdadeiro do silêncio interior...

lúcia*


quinta-feira, 8 de maio de 2014

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL... E LIBERTAÇÃO






A libertação emocional é um processo complicado. Libertar-se de uma dependência emocional, seja ela de uma pessoa, de uma situação de uma posição alcançada, de um objecto ou de um determinado comportamento, é tarefa árdua e dolorosa, que remete para um Re-nascimento...

A busca emocional é a busca do reconhecimento da existência pessoal através do outro e, tudo ou todo aquele que "provar" que "VOCÊ" está vivo, através da atenção que consegue receber (seja positiva ou negativa), tende a tornar-se indispensável à sua sobrevivência. Esta necessidade criada pode tornar-se tão forte que se torna no âmago da vida, às vezes de uma maneira tão distorcida que tudo o resto é colocado em segundo plano... até, e principalmente, o Eu Real. 

Aquele que diz: "Sem ti, não existo" está realmente a falar verdade pois, no fundo ainda não conseguiu a sua individuação, a sua identidade, o seu reconhecimento próprio. 

Duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar no espaço (pelo menos nesta escola-matéria em que estamos encarnados). Portanto, devemos des-construir algo para que outra coisa possa ser colocada no seu lugar.

Se quisermos alcançar a liberdade e ultrapassar a limitação, devemos destruir, dentro de nós, a pseudo-segurança trazida pelo medo, pela acomodação, pela cegueira, pelo apego, pela rotina e pelo tédio.

Ganhar as asas da vida nem sempre é fácil, mas é possível... e vale tanto a pena!

lúcia*

terça-feira, 29 de abril de 2014

SEM VESTÍGIO DE DOR






aprisionada no campo magnético do medo, sentia as dores crónicas no corpo e na alma...

tolhida, procurava toda a sorte de mezinhas medicinais, que achava poderem coadjuvar os químicos farmacêuticos que coleccionava num armário da cozinha, todos prescritos por especialistas médicos escolhidos a dedo ou recomendados por amigas que sofriam do mesmo mal...

há muito que se resignara à sua cruz, da qual fazia porta estandarte quando, às quintas-feiras, se reunia com as companheiras de tormentos mil, num desfiar de rosários dolorosos...

mal se escutavam, pois o falar pessoal era monólogo conjunto, em meios dos bolinhos, scones e do tilintar metálico das colheres com açúcar mascavado rodando ritmadamente nas chávenas de porcelana fina.

um dia, por aparente acaso, aproximou-se de si uma menina de olhar profundo, ao mesmo tempo doce e brilhante, caracóis alvos e suaves a descerem pelas costas...

tocou-lhe no braço ao de leve, mas o toque fê-la estremecer, roubando-a ao seu crónico torpor...

olharam-se nos olhos, enquanto os monólogos das amigas pareciam perder o som e o tempo ficar em suspenso...

e filmes de outrora surgiram naquele olhar inocente que a fixava... ela de novo, com os seus próprios caracóis despreocupados ao sol do Verão da infância... em casa da avó materna...

levantou-se, deixando-se levar, confiante e sem medo...

e afastaram-se de mãos dadas... caminhando... sem vestígio de qualquer dor!

lúcia*


sábado, 26 de abril de 2014

APENAS O PRESENTE É INFINITO




é o tempo, esse paradoxal eterno-agora, que se encarrega de dar novos lugares às coisas...

novos sentidos...

novos quereres...

novas cores...

novas emoções...

novos nós-mesmos!

lúcia*


Imagem: andrey remnev


terça-feira, 22 de abril de 2014

SOBRE A VIVÊNCIA DA CRISE




se o quisermos, e a isso estivermos predispostos, toda a crise encerra um potencial evolutivo e a oportunidade de alinhar a personalidade com a alma...

para isso é necessário permanecer em observação e atenção plena...

dar-se conta da reacção emocional costumeira e dos "velhos" hábitos e comportamentos automáticos e já obsoletos em termos de validade...

respirar a tentação de fazer igual...

silenciar a voz auto-crítica...

dando espaço à compreensão e à possibilidade de novas formas de estar e fazer, mais alicerçadas na voz interior e menos na zona de conforto castradora.

lúcia*

imagem: "Look at the bright side of life"

sexta-feira, 18 de abril de 2014

UM DIA VENTOSO NA COSTA




não imagine!

espere...

flua...

confie...

e deixe as coisas tomarem o seu próprio curso.

lúcia*



quinta-feira, 17 de abril de 2014

sobre a NAUSICAA de Frederic Leighton (1878)




outrora filha de Reis...

resgatadora de soberano náufrago sob a ira de Poseídon... um  frágil Ulisses caído a seus pés na areia da praia da ilha de Esquéria...

seguidora dos sonhos de Atena, 

de seu nome Nausicaa, incendiadora de corações, mais do que de navios (conforme a etimologia do seu nome em grego).

eterna amante e viajante do tempo,

hesitava agora, docemente, entre a mais pura malícia e um pudor inesperado...

alma e corpo pediam-lhe coisas diferentes... 

ou nem tanto?!

lúcia*



quarta-feira, 16 de abril de 2014

NA FRONTEIRA DO SENTIR



Olhava amiúde para dentro de si...

e começava a sentir que podia desfazer-se da raiva, deixar ir o ciúme e também a inveja... e que isso não a deixaria diminuída, nem vulnerável, como tanto receava...

ao contrário, soltar a emoção dolorosa, era como soltar a pele exterior, abrindo-se a um novo sentir, a um novo estar, a um novo ser...

soltar a emoção defensiva parecia, afinal, deixá-la mais centrada, mais alicerçada na essência e menos no ego.

Olhava amiúde para dentro de si... 

e percorria agora a lentidão do caminho, sem pressas...

sentindo, finalmente, ter toda a eternidade.

lúcia*



domingo, 13 de abril de 2014

DIÁLOGO IMAGINÁRIO... o sair da resposta automática




"desculpa, estou a ouvir-te sim, a escutar com toda a atenção...

ainda não te respondi porque, agora, estava a escutar o meu coração!"

lúcia*


sexta-feira, 11 de abril de 2014

SINTO O DESAPEGO COMO A ANTÍTESE DO DOGMA




ao contrário do que possa parecer:

Desapego

não é dissociação... não é isolamento,

não é apagar o sentir, nem embalsamar as emoções...

é envolvimento, é intimidade, é estar em presença... talvez não com as expectativas, mas com as coisas como elas são! com a realidade!

e viver no presente as coisas como são, implica uma multiplicidade de sentires... implica estar aberto, receptivo ao novo... atento... sem amarras!

lúcia*


imagem: Kittiwut Chuamrassamee

terça-feira, 8 de abril de 2014

SOBRE AS ANJAS...




Dizia Ibn El-Arabi que "Os Anjos são os poderes escondidos nas faculdades e nos órgãos do Homem."

palpita-me que as ANJAS são a génese de todo esse processo...

filhas da Deusa-Mãe...

o princípio feminino co-criador...

o humus da terra fértil...

o eterno fogo vital...

a chispa multidimensional...

doces e serenas, congregam a luz da lua com as emoções humanas...

abrindo caminho à passagem da Alma...

com só batendo as Asas... ao de leve!

lúcia*


Imagem: Stuart de Carvalhais

sexta-feira, 4 de abril de 2014

DA ORIGEM DO VAZIO



Tinha medo de ficar sozinha... tinha medo do vazio de dentro!

Até descobrir que o vazio não é de dentro... e sim de fora!

lúcia*


SOBRE A QUIETUDE




aprende a aquietar o corpo e a mente pois, no mesmo instante em que cessa o movimento, começa a sentir-se a presença do Infinito... 

da Eternidade... 

de Deus...

lúcia*

quinta-feira, 3 de abril de 2014

CRISE... E TERAPIA TRANSPESSOAL





Sinto e vivencio a Terapia Transpessoal como uma Viagem Interior às memórias, sentimentos, emoções, recursos individuais, sombras e luzes, pois toda a perturbação pessoal (Medos e Dúvidas, Depressão, Crise Existencial, Fobia, Crise de Pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Bulimia, Doença Psicossomática...) constitui um sinal de alerta, mas também um Caminho para a solução, na conexão com a nossa Consciência Alargada e o nosso Curador Interior.

Curiosamente, a expressão "crise" deriva da palavra grega krisis, que significa "decisão" e deriva do verbo krino, que quer dizer "eu decido, separo, julgo".

A intervenção na crise aumenta, assim, a possibilidade de crescimento de novas capacidades de resolução, reforçando a busca de novas opções e perspectivas de vida.

Logo, toda a crise encerra em si mesma um potencial evolutivo.

Dizia Oliver Wendell Holmes que "A mente do homem, estendida até uma nova ideia, já não regressa às suas dimensões originais".

Concordo plenamente!

lúcia* 


domingo, 30 de março de 2014

SOBRE OUVIR... PARTINDO DE HEMINGWAY




SOBRE OUVIR... E DE COMO ME IDENTIFICO NESTE ASPECTO COM HEMINGWAY, quem dizia: "Gosto de ouvir. Aprendi muito ouvindo cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca ouve."

A tendência é, sem dúvida, ouvir-se, falando... procurando ecos e aprovações nos olhares e nos ouvidos alheios... navegando num sem numero de diálogos de surdos.

Ouvir é aprender a dar, a estar realmente disponível... uma energia que podemos e devemos desenvolver, pois existe sem dúvida dentro de cada um de nós.

Ouvir e estar na / em relação... disponível para um outro pensar e sentir... sem receio de ficar "para trás", sem receio de colocar interesses pessoais em stand by.

Ouvir e dar espaço a um outro... é criar oportunidade de expansão pessoal... é sair da zona de conforto... é fomentar um espaço interior de dúvida optativa.

Porque, no fim de contas, Ouvir é também abrir a hipótese a encontrar ecos e ressonâncias... ou não... e, neste último caso, conseguir sustentar, de forma enraizada, o sentimento egóico da frustração.

lúcia*


quinta-feira, 27 de março de 2014

EMOÇÃO DOLOROSA COMO FAROL




o que fazer das emoções dolorosas, senão perceber e compreender que podem ser o farol que nos guia para as partes da personalidade que viemos sanar e transformar, ao entrarmos no corpo físico para a experiência terrena que nos tocou vivenciar...

lúcia*

Imagem: "A Midsummer Night's Dream" by Christian Schloe

terça-feira, 25 de março de 2014

CEMITÉRIOS EMOCIONAIS... OU A DOR DO APEGO SOLITÁRIO




olhava desalentada e impotente (como se lhes quisesse dar vida) as caixas de cartão forradas por si mesma a tecido...

caixas a abarrotar de cartas manuscritas, em letras e datas diversas, e de fotografias amareladas (umas a preto e branco e outras a cores)...

florzinhas secas com significados vários, laços de seda desfeitos, a Cartilha Maternal (cheia dos primeiros garatujos), um brinquedo de lata de seu irmão, falecido em criança com a pneumónica, e que ela, como mais velha, ajudara a criar...

uma medalha de aluna do coro da igreja da aldeia nortenha onde nascera e de onde partira, ainda gaiata, com seus pais, para a capital... o relógio de bolso de seu pai, que há muito deixara de marcar o tempo... o frasco de perfume vazio de sua mãe, que mantinha um leve odor a "Madeiras do Oriente"...

uma caixinha de música muda, com uma bailarina em pontas que, outrora, rodara em infinitos "fouettés en tournant"... e as suas próprias sapatilhas de cetim rosa já coçado, dos tempos no conservatório...

o tule do véu de noiva, trazia recordações de um tempo a dois de confidências, confiança e infinito carinho...




releu e acarinhou tudo pela centésima vez, enquanto lágrimas penosas lhe assomavam aos olhos e escorriam pelos socalcos do rosto, finalmente libertas, aterrando docemente nas mãos alvas e já esquálidas...

mensalmente, como num ritual perene, alentava-a esta viagem pelo cordão umbilical que a ligava, mas que também a aprisionava, ao passado saudoso... a tudo e a todos os que já tinha partido, deixando-a só... apenas consigo mesma e as suas caixas de cartão forradas, já que a memória teimava em trai-la aqui e ali...

levantou-se a custo do chão... regressando ao sofá da sala, frente à televisão, que muitas vezes nem sequer ouvia, onde se sentava diariamente em infinitas tardes... à espera.

lúcia*


segunda-feira, 24 de março de 2014

SOBRE A OBSERVAÇÃO





observe imparcialmente o que acontece à sua volta...

observe-se a si mesmo... e observe-se observando-se...

observe não a parte, mas o todo: há sempre alguma coisa a acontecer, exterior e interiormente...

observe, porque observar é o verbo mais holístico de todos...

e faça-o, não apenas com o cérebro, mas também com o coração.

lúcia*

domingo, 23 de março de 2014

SER AMOROSO




Ser Amoroso é...

entregar-se  na gentil suavidade do gesto

saborear a brisa do carinho

navegar na delicadeza das palavras

mergulhar na água cristalina do olhar

ter liberdade para amar centrifugamente

ser fiel ao seu sentir

escutar e observar o objecto amoroso, tal qual é

dar e unir

elevar-se acima de eros e ágape

tudo isto... e tanto mais


lúcia*

Foto: Juliette Binoche como Camille Claudel (no filme "Camille Claudel 1915")


quinta-feira, 20 de março de 2014

O EGO... AO ENCONTRO DA ALMA





Que fabuloso ensinamento este de Nisargadatta: "Não é o que você faz, mas o que você pára de fazer que importa".


porque o importante:

é a auto-observação diária, atenta e plena de compaixão,

a máscara que retiramos, porque obsoleta e despropositada,

a mente de principiante,

a compreensão e a consciência que nos permitimos a cada dia,

o automatismo que desactivamos,

a sombra que iluminamos,

a coragem de Ser em essência,

é o que deixamos de ser, porque isso não somos!

lúcia*

Imagem: "Woman leaving the psychoanalyst" (Remedios Varo)

terça-feira, 18 de março de 2014

CAMINHAR AS SOMBRAS DA VIDA



às vezes sentia a Vida como um túnel que deveria atravessar... pejado de sombras... a escuridão da Iniciação.

e apetecia-lhe mergulhar nessas profundezas... mas o medo tolhia-lhe os movimentos... paralisando-a à entrada do Caminho.

em pânico, percebia que só se conseguia Mover se voltasse para trás.

um Dia, respirou fundo... fixou o olhar no Negrume, com ar Desafiante e, desta vez, foi em Frente!

lúcia*

"O IMPÉRIO DA LUZ - Uma reflexão pessoal sobre a Luz e a Sombra na Alma Humana" (extractos)



"(...) Mudarmo-nos... e o que é que é suposto mudarmos em nós?

Sinto cada vez mais que se trata de enfrentar e diminuir a nossa sombra e aumentar a nossa luz pessoal... duas faces da mesma moeda, dois processos complementares, mas sem dúvida cada um deles com "vida própria" e percurso particular...

(...) Mesmo quando caminhamos em direcção à Luz, a Sombra mantém-se atrás de nós, relembrando-nos a nossa dualidade terrena.

Cabe-nos decidir deixar que a Sombra nos persiga... ou nos conduza!"

lúcia*

alegoriadacaverna2@gmail.com

domingo, 16 de março de 2014

ASAS DE ANJOS




perdia-se muitas vezes olhando as estrelas no céu da noite... imaginando outras vidas, outros sentires, outras paisagens, outros caminhos

por vezes, entre si e as estrelas, passavam nuvens de matizes acinzentados... algumas eram claras asas de anjos... 

e passavam lentamente, deixando um rasto de doçura cálida no ar, a quem soubesse ver!

lúcia*

quinta-feira, 13 de março de 2014

METAMORFOSES... DO PESO DA DEPRESSÃO... À NOSTALGIA ELABORATIVA...



vinha a espaços, de modo insidioso e, talvez, um pouco sedutoramente...

apanhava-a sempre desprevenida, no meio de um estar despreocupado e leve, por vezes até eufórico...

qual nevoeiro espesso, esse sentimento envolvia-a numa espiral de paralisia gradual

o corpo e a mente... a própria alma... sem vento, sem ar, sem terra, sem o fogo da vida, sem leme ou norte...

encapsulada num tempo suspenso, como um casulo perene e sufocante...

sem vontade própria ou desejo, as células vibravam numa frequência baixíssima, porém, num recanto das mesmas, a matéria da vida parecia transmutar-se num ritmo imposto por algo maior...

um sol matinal tímido, encimado por um fino raio vermelho alaranjado, acabava finalmente por nascer e o corpo parecia começar a mover-se na cama...

primeiro um pé, a medo, depois outro... agarrada à mesinha de cabeceira, segurava a mesma com força, tentando equilibrar-se... respirando profunda e pausadamente o alento da vida...

e, lentamente, tal como o nascer do sol, o brilho da alma voltava aos seus olhos... lavados por cálidas lágrimas que escorriam pela pele alva...

no espelho, via reflectido um novo rosto, apesar dos traços de sempre...

e na linha dos lábios cerrados adivinhava-se já um ténue sorriso...

lúcia*

Imagem: Ritrato di Benedetta Marinetti de Giacomo Balla (1951)






sábado, 8 de março de 2014

MERGULHOS NO ETERNO E FÉRTIL SILÊNCIO



é no imenso silêncio fecundo que levamos dentro que se encontram todas as respostas e  todas as leis do universo que nos rege e que também somos...

por isso, a procura dessa luz eterna é também interior... uma viagem em silêncio atento e presente, nesse eterno espaço sem tempo...

uma viagem à essência que somos, mas que se esconde debaixo das capas e máscaras adaptativas à vida na dualidade terrena...

que fantástico desafio... regressar, mas agora em consciência, à Casa de onde nunca saímos

lúcia*





quinta-feira, 6 de março de 2014

SABERMOS-NOS LER



"Eu Mesmo" - esse deveria ser o nosso livro preferido... o primeiro livro a aprender a ler e a sublinhar... o primeiro livro a tirar da prateleira... o fiel companheiro da mesinha de cabeceira...

"Saber-Me Ler" - deveria ser a primeira escolarização emocional... intra e interpessoal... a base da independência e genuinidade pessoais (narcisismos à parte, claro!)... fazê-lo com toda a Atenção e Tempo, sem julgamentos ou distorções, sem necessidade de respostas rápidas procuradas no exterior (fora de mim), deveria ser uma obrigatoriedade...

No fundo, o "EU" - constitui a história da humanidade!

Poderei EU estar livremente consciente do conteúdo deste livro que conta esta história que SOU?

lúcia*




domingo, 2 de março de 2014

DA NUDEZ DA ALMA



despira-se de máscaras...

agora não lhe restava mais do que a nudez da Alma... essa essência pura que poucas ousavam desvelar...

chegara a recear sentir-se frágil e vulnerável, porém... todo o contrário... dentro de si pulsava o inconsciente colectivo da árvore genealógica da matriz feminina... uma ténue sensação visceral que lhe dava estrutura interior e excitava um poder suave e doce...

por tudo isso, colocou o pé na calçada húmida pelo orvalho matinal que a noite fresca parira...

e, à sua passagem, deslizante mas segura, a natureza pasmava.


lúcia*




POTENCIAL ESCONDIDO




um dia, quando menos se espera, surge do fundo de nós um potencial desconhecido e arrebatador... até aí apenas intuído, escondido porque o medo o recalcou ou porque não era a sua hora...

desvelado, surge pleno de saber e de energia de criação... e todo o Ser se expande... e a missão da Alma pode, finalmente, começar a cumprir-se...

lúcia*

alegoriadacaverna2@gmail.com



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

CAMINHAR NO SER (1)




conhece-te... faz de ti mesmo o teu objecto preferido de observação, estudo e compreensão,

aceita-te... tal como és... na semente em potencial... na sombra e na luz, 

transforma-te... porque nada permanece igual na ilusão do espaço / tempo, onde tudo é impermanente,

supera-te.... porque ir mais além é expandir a tua essência... é aceitar a missão da tua alma!

lúcia*

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

HOMEM BELO... HOMEM SÁBIO

Safo, a poetisa grega, dizia: “O homem belo só o é quando o contemplam, mas o homem sábio é belo mesmo quando ninguém o vê.”

Ao lê-la, tantos séculos depois, penso nas máscaras, nas personagens que nos tapam a alma.

Esse "homem belo" de que fala Safo lembra-me a estrutura narcisista... aquele que diariamente é o que não é, belo porque em pose, belo porque em sedução e manipulação, belo porque em mentira... e é isto que o alimenta, não à alma, mas ao Ego... ao ego e a essa tremenda ferida narcísica que leva dentro e que tenta ocultar a todo o custo (quantas vezes demasiado elevado!).


(Imagem: Eco e Narciso by  John William Waterhouse)


O "homem belo" precisa de palco para brilhar, do alimento narcísico constante, da adulação (mesmo que falsa)... precisa que o contemplem, que lhe confirmem que existe! A relação torna-se meramente funcional, longe dos afectos e do coração.



(Imagem: Aspasie no meio dos Filósofos da Grécia by  Michel II Corneille)

Já o "homem sábio" de Safo, me recorda o homem consciente... aquele que aceita a sombra, que não se renega... que é genuíno à luz do dia e na escuridão solitária da noite... que se atreve a caminhar no seu ser... que se lança no caminho iniciático de integração dos seus opostos e de resgate da sua alma... que abre a porta ao sentir e à verdade.

O "homem belo", ao contrário, encontra-se clivado, engana-se e engana na vã glória que constitui a negação da sua sombra, esquecendo que a sua sombra o persegue na sua defesa contra a mesma... ou seja, plasma-se sem dó nem piedade na manipulação alheia. E esquece-se de quem é, porque a máscara acaba por se lhe colar à pele e a vida decorre em automatismos ritualizados.

Há séculos que Safo intuiu esta dor feita drama... a qual se mantém nos dias de hoje amiúde... demasiado amiúde!

lúcia*

NAVEGANDO O SILÊNCIO





navegando os meus próprios silêncios...

porque, antes de aprender a olhar de frente o que nos assusta, há que aprender a olhar o silêncio

lúcia*

LIVRE (EN)CANTO




e então a menina descobriu que o canto do pássaro só existia porque ele era livre...

SOBRE O TEMPO



é o tempo, esse paradoxal eterno-agora, que se encarrega de dar novos lugares às coisas...

novos sentidos...
novos quereres...
novas cores...
novas emoções...
novos nós-mesmos!

lúcia*

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

SOBRE ENCERRAR OS CAPÍTULOS DO LIVRO DA VIDA



É todo um desafio saber e aceitar quando uma qualquer etapa da vida terminou o seu ciclo e chegou a um fim. Insistir numa ilusão, é evitar um processo de luto que deixará uma profunda ferida aberta se não for feito, para além de constituir um desgaste físico e emocional tremendo, que pode ter graves consequências pessoais.

Nada, nem ninguém, é indispensável… tão-somente hábito, apego, necessidade… ilusões da mente aflita! Mente essa que adora insistir freneticamente numa busca de “porquês”, tantas vezes sem resposta, ou numa eterna sucessão de cenas alternativas de um filme já realizado, editado e visionado, com direito a epílogo: The End.

A vida existe apenas no presente e saber fechar ciclos e encerrar capítulos, quando estes chegam ao fim, é indispensável a um viver em presença.

Para isso, temos que ir aprendendo a soltar e a deixar ir... a oxigenar lembranças e recordações de um tempo que já não é… de um espaço que deixou de ser.

A saúde mental e física depende desse seguir em frente com a tranquilidade de estar vivo aqui e agora… e a certeza de vivenciarmos e continuarmos a escrever sobre novas e fantásticas aventuras nesse livro da vida!



 lúcia*

alegoriadacaverna2@gmail.com

domingo, 23 de fevereiro de 2014

SOBRE ESTAR EM RELAÇÃO


a qualidade da relação que mantemos com os demais pode nutrir e fecundar a nossa vida ou, ao contrário, complicá-la, tornando-a em fonte de sofrimento...

e tudo na sequência das intrusivas e inconsequentes expectativas egóicas, bem como de toda a sorte de projecções e sentimentos de apego

porém, as relações que podemos escolher ter, poderão ser também a oportunidade de descobrir novas facetas de nós mesmos, aspectos de crescimento, desafios a superar...

"relacionar" vem do Latim "relatio", que significa "restauração, acto de trazer de volta"...

provavelmente, e caso a escolha seja consciente, teremos sempre a oportunidade e a possibilidade de mais um resgate da essência interior.

lúcia*

Imagem: "A Comédia e a Tragédia" de Giorgio de Chirico

A NOSSA ESCOLA DE CONHECIMENTO

Nesta escola de aprendizagem que constitui o nosso planeta, acredito… sinto… que os quatro pilares do conhecimento são:

- ESPIRITUALIDADE (Religião, Agape / Amor),

- FILOSOFIA (Sophia / Sabedoria),

- ARTE (Thelema / Vontade),

- CIÊNCIA (Gnosis / Conhecimento),

tendo em conta a latência dos quatro planos de manifestação: o Espiritual, o Mental, o Emocional e o Físico, no Caminho rumo ao SER



(foto: O Pórtico das Cariátides, no Templo de Erecteion, Acrópole de Atenas, Junho 2011)


lúcia*

alegoriadacaverna2@gmail.com